Conto Erótico: Manifestação de Prazer

A verdadeira manifestação acontecia dentro da calça dele, e ela, estava disposta a “lutar” por essa causa.

Estávamos unidos contra o aumento da passagem de ônibus, por um transporte público de qualidade, e ainda assim parecia que estávamos unidos por muito mais, por algo maior, pelo direito de falar e sermos ouvidos.

 

E sabe como é, essas manifestações sempre amplificam nossas emoções, as pessoas se exaltam, se unem, se empolgam. E quando os atritos com a polícia acontecem é aquele caos. Eu estava com alguns amigos para conferir o que estava acontecendo realmente, além das notícias tendenciosas da TV. Saímos da faculdade e fomos ali para a rua da Consolação para acompanhar mais um ato.

 

Cartazes, rostos pintados, rostos por trás de panos e máscaras. Gritos de ordem, gritos de gente de fora, buzinas. Eu já estava empolgada com a organização e o poder da multidão. Meu amigos e eu conversávamos com alunos de outro curso que haviam chegado mais cedo quando a primeira bomba estourou no meio de um grupo. Todos começaram a correr e se separar, indo para os dois lados da Av. Paulista ou descendo a Rebouças e a Consolação.

 

Foi quando um grupo de pessoas parou para observar algo único: por meio de focos de fumaça, gritos e explosões, um casal de jovens, provavelmente universitários, se beijou. Mas não qualquer beijo: eles estavam caídos no chão como se tivessem sido derrubados e estavam ali para provar que o amor vence tudo.

 

A cena de amor não durou muito tempo, o rapaz puxou a moça daquela posição assim que viu a tropa de policiais se aproximando. Mas acho que todo mundo congelou aquele momento, eu principalmente. Não conseguia tirar a imagem da cabeça e por isso segui os dois. Tentei ao máximo não ser empurrada, me desviando de todos e perseguindo o casal que sorria e se aventurava por ruas escuras do centro.

 

Eles paravam de vez em quando para dar um novo beijo, um selinho, ou algo mais apaixonado, línguas gritando por mais. Eles finalmente chegaram em uma rua sem saída da rua Augusta, um lugar escuro e comprido, e foram até onde as sombras abrigaram seus corpos, apenas um poste com a luz indecisa para iluminar o que aconteceria em seguida.

 

Tomei cuidado para não ser vista e me agachei contra uma caçamba de construção, a uma distância segura de tudo. Os beijos se tornaram mais quentes e os dois pareciam uma manifestação em si mesmos: dedos ávidos pelo toque da pele, sem conseguir ficar parados em apenas um lugar. Ela levantou a camiseta dele e começou a chupar seus mamilos. O rapaz gemeu e puxou o cabelo dela, unindo os seus lábios novamente. Foi a vez dele levantar a blusa e apertar os seios dela com força, seus dedos brincando com os bicos.

 

Não consegui me segurar e coloquei minha mão por dentro da calça, sentindo como ficava úmida com cada novo passo do casal. Meus dedos brincando, entrando e saindo enquanto o rapaz encostou a moça em um muro, ela sorrindo provocante. Ela estava vestindo uma saia esvoaçante. Ele só precisou levantá-la, abaixar a calcinha e comê-la por trás. O primeiro choque fazendo a mulher gemer em um misto de dor e prazer. Depois disso os movimentos certos do quadril do rapaz recuperaram aquele sorriso da mulher, que gemia alto, para o mundo ouvir. Ela mordeu o lábio e eu continuei me penetrando e brincando com os dedos.

 

A velocidade deles aumentou, uma das mãos da mulher no muro, a outra apertando a nádega nua do homem. Apenas ouvi fracamente ele dizer que iria gozar e explodi junto com eles. O rosto dele descansou nas costas de sua amiga manifestante, que gargalhou, talvez pela situação, talvez por ter conseguido gozar junto com o cara.

 

Não podia esperar para descobrir. Enquanto eles descansavam, saí do beco sorrindo e pensando que não há manifestação mais verdadeira e forte do que uma boa trepada.

 

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